Ministério de compaixão

Ministério de intercessão e de curas, um ministério de compaixão

Rezai conosco, bom P. Émilien

Oração de pedido de curas

Evangelho segundo São Marcos 16, v. 15 a 18

Disse-lhes Jesus: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; aquele que não crer será condenado. E estes são os sinais que acompanharão aqueles que crerem: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; imporão as mãos aos doentes, e estes ficarão curados.»

Vou contar-vos três experiências de compaixão do Senhor.

O abade Yves Rancourt, da mesma aldeia do padre Émilien Tardif

O padre Émilien Tardif na presença da Eucaristia

Eis uma primeira experiência:

Em 4 de julho de 1993, sabendo que havia um retiro na sala Sartigan, em Saint-Georges de Beauce, organizado pelos responsáveis da Renovação Carismática da região, participei desse encontro no domingo à tarde. O convidado era o P. Émilien Tardif, que tinha o hábito de vir à Beauce todos os anos. Há alguns anos eu sofria de fortes dores de ouvido, como uma dor de dente, que duravam no tempo, e eu tinha dificuldade de praticar esportes de inverno e evitava toda corrente de ar.

Consultava um especialista que, no início, me receitou gotas e outros medicamentos. As dores tinham atingido os dois ouvidos. Procurando a origem, o especialista diagnosticou que essas dores de ouvido tinham sido ocasionadas por um acidente de automóvel ocorrido 20 anos antes. Sim, nesse acidente eu tinha perdido alguns dentes e ocorrera um deslocamento dos ossos da mandíbula. Esses ossos deslocados, sendo ligados aos dos ouvidos, criaram as minhas dores de ouvido.

Um ouvido atento

Participei desse retiro com algodão nos ouvidos, pois a menor corrente de ar me afetava. O P. Émilien, na presença do Santíssimo Sacramento, fazia um ministério pelos doentes; ali fui incomodado por dores de ouvido cada vez mais intensas, sobretudo no ouvido esquerdo. Tinha feito um esforço para participar desse encontro e chegava mesmo a pensar em deixar a sala. Afastei-me do lugar onde estava, crendo ter a ver com correntes de ar ocasionadas pelo ventilador que estava acima de mim.

O P. Émilien anunciava curas e falava mesmo de curas de ouvidos, mas, em relação à descrição dos sintomas que fazia, isso não correspondia às minhas dores de ouvido. Pensei por um instante que era para mim. No dia seguinte, fui a Saint-Zacharie, a minha paróquia natal e a do P. Émilien, para participar de uma celebração pelas missões, como ele fazia todos os anos. Antes da celebração, contei-lhe o que se tinha passado durante a oração pelos doentes, no dia anterior, diante do Santíssimo Sacramento.

Ele me disse que essas palavras intensas se parecem bem com um sinal que anuncia uma eventual cura: «Verás, mesmo que as tuas dores de ouvido não correspondessem às palavras que foram ditas durante esse ministério de ontem, o Senhor está acima de tudo isso e pode fazer mais, não crês!» Querendo agradecer ao Senhor por essa cura, fiz a promoção do livro que conheceis, «Jesus me tornou testemunha», do P. Émilien e de José Flores. Por isso mesmo, a minha percepção desse ministério mudou duplamente. Sou uma testemunha mais atenta. Creio...

Uma segunda experiência:

Este ano, em fevereiro, estive em El Salvador, precisamente na paróquia de Citalá, em Chalatenango, para ajudar na construção de um lugar de retiro nas montanhas, perto de Honduras, com Renald Roy, Gérard Dumas e o abade Claude Sauvageau, que veio se juntar a nós mais tarde.

Participávamos das diferentes celebrações que o P. Réjean Lachance, natural da Beauce, fazia nas capelas das montanhas. Íamos cedo de manhã para celebrar a missa nessas pequenas capelas. Um dia fomos à pequena aldeia de Zalguazapa.

Para a nossa grande surpresa, chega das montanhas uma família transportando uma jovem. O P. Réjean Lachance nos explica que essa menina tinha sido atacada por serpentes num campo. E acabava de passar um mês no hospital de San Salvador, a capital; lá recebera várias operações e um enxerto de pele. A mãe se apresentou, insistente para que rezássemos pela sua filha. Tinha feito tantos esforços para a transportar. Combinamos de fazer orações depois da comunhão.

Depois da missa, a mãe

Havia vários jovens nessa celebração, pois a escola fica ao lado da capela. Depois da comunhão, convidamos a mãe a se adiantar com a sua filha, em cadeiras dispostas diante do pequeno altar, e rezamos. Comecei a oração. Para a minha surpresa, citei o texto da Palavra de Deus de Marcos 16, v. 15-18, adaptando-o assim: «Imporão as mãos aos doentes e estes ficarão melhor, e as serpentes não vencerão com o seu veneno...» Réjean fez a tradução dessa oração. E então, junto com a pequena comunidade de Zalguazapa, rezamos. Os nossos dois canadenses, Renald e Gérard Dumas, estavam presentes. Todos tinham o coração compassivo com essa mãe que pedia compaixão pela sua filha.

Depois da missa, a mãe nos mostrou a perna esquerda da jovem de 9 anos, Jesnica. Era bastante triste ver aquilo. Admirei a coragem da mãe. Um mês mais tarde, o P. Réjean Lachance voltava a essa mesma aldeia e lá a mãe pediu uma missa de ação de graças pela sua filha. Recebi uma foto tirada por Denis, o irmão de Réjean, presente nessa missa, mostrando a jovem Jesnica andando. No início de maio, o P. Réjean me dizia: agora ela vem sozinha à capela.

Demos graças!

Uma terceira experiência:

Há vários anos, um pequeno grupo de que eu fazia parte foi a uma família onde o jovem pai estava acometido de um câncer. Esse pai se recusava a receber os filhos no seu quarto, onde estava pregado na cama. Vivia uma grande revolta, e isso o levara a se isolar. Ali fizemos orações de intercessão. O que queríamos para ele era a cura física. É bem humano fazer um tal pedido. Ele faleceu. A esposa, depois, deu notícias. Testemunhou que, depois das orações, nos dias seguintes, o seu esposo acolhera os filhos e partilhara com eles o seu sofrimento. O Senhor se compadeceu da família e abriu o coração do pai para a vida eterna. Demos graças pelo que Ele fará por nós. Demos graças!

Yves Rancourt, padre, 5 de junho de 2010